Debate destaca diferentes abordagens para combater o feminicídio em Mato Grosso.
O videocast Olhar em Debate, disponível no YouTube e nas plataformas de podcast do Olhar Direto, abordou o aumento dos casos de feminicídio em Mato Grosso, reunindo a suplente de senadora Margareth Buzetti (PP) e a suplente de deputada estadual Edna Sampaio (PT). Durante o programa, as duas debateram as causas da violência de gênero e as soluções que o poder público deve priorizar para reduzir os assassinatos de mulheres.
Margareth Buzetti iniciou o debate afirmando que a origem do problema é estrutural, mas defendeu que o aumento das penas pode servir como um instrumento de intimidação e resposta do Estado. "Para mim a solução é educação, educação, educação e punição. […] Eu acredito que a punição ajuda sim a diminuir o feminicídio", declarou. Ela citou casos recentes de feminicídio em Cuiabá para justificar o pacote legislativo aprovado em 2024, que aumentou a pena máxima para até 40 anos de prisão e incluiu sanções como a perda do poder familiar e a proibição de visita íntima ao condenado.
Por outro lado, Edna Sampaio argumentou que o feminicídio não deve ser visto apenas como uma questão criminal, mas como um reflexo de uma estrutura histórica de desigualdade entre homens e mulheres. "O Estado falha porque nós estamos enfrentando um problema histórico e estrutural, que é o machismo", afirmou. Ela enfatizou que a solução não está apenas na produção legislativa, mas sim em políticas públicas efetivas.
O debate também abordou a militarização das escolas, o orçamento para políticas voltadas às mulheres, a atuação do governo federal e as falhas na rede de proteção às vítimas. Edna criticou a falta de políticas organizadas de proteção em Mato Grosso, afirmando que "o Estado está ausente" e que, apesar do sucesso nas políticas econômicas, é necessário cuidar das pessoas. Em resposta, Buzetti defendeu os avanços do governo estadual, citando a ampliação de ações de enfrentamento à violência doméstica, como auxílio-moradia para vítimas e a criação de um gabinete permanente de combate ao feminicídio.
Um dos momentos mais impactantes do debate ocorreu quando Edna relacionou a cultura militar à construção da masculinidade violenta, enquanto Buzetti defendeu a importância da disciplina familiar e escolar na formação dos jovens. O programa também discutiu a dependência financeira das vítimas, a morosidade da Justiça, políticas de prevenção e a participação das mulheres em espaços de poder.
Nas considerações finais, Edna Sampaio destacou que o combate ao feminicídio deve ser central no debate eleitoral de 2026, enquanto Buzetti enfatizou que o enfrentamento à violência contra as mulheres deve envolver a União, estados e municípios de forma conjunta.
O que aconteceu
Margareth Buzetti e Edna Sampaio debateram as causas do feminicídio em Mato Grosso em um videocast.
Por que importa
O debate destaca a necessidade de diferentes abordagens para enfrentar a violência de gênero no estado.
Pontos-chave
- Margareth Buzetti defende aumento das penas como solução para o feminicídio.
- Edna Sampaio critica a abordagem criminal e pede políticas públicas estruturadas.
- O debate abordou a militarização das escolas e a cultura de masculinidade violenta.
- Ambas as debatedoras concordaram na necessidade de ações efetivas contra o feminicídio.
- O combate ao feminicídio deve ser central nas eleições de 2026.
Frases-chave
"Para mim a solução é educação, educação, educação e punição."
"O Estado falha porque nós estamos enfrentando um problema histórico e estrutural, que é o machismo."
"O Estado está ausente. Mauro Mendes conduziu políticas econômicas com sucesso, mas nós precisamos também cuidar das pessoas."
"Pensar que esse problema complexo vai se resolver apenas com produção legislativa não é verdade."
"O enfrentamento à violência contra mulheres precisa envolver União, estados e municípios de forma conjunta."
Fonte original: Olhar Direto — leia a matéria completa no site original